Mitologia nórdica, também chamada de mitologia
germânica, mitologia viking ou mitologia
escandinava, é o nome dado ao conjunto dereligiões, crenças e lendas pré-cristãs dos povos escandinavos, incluindo aqueles que se
estabeleceram na Islândia, onde a maioria
das fontes escritas para a mitologia nórdica foram construídas. Esta é a versão
mais bem conhecida da mitologia comum germânica antiga, que inclui também
relações próximas com a mitologia
anglo-saxônica. Por sua vez, a mitologia germânica evoluiu
a partir da antiga mitologia
indo-europeia.
A mitologia nórdica é uma coleção de crenças e
histórias compartilhadas por tribos do norte da Germânia (atual Alemanha), sendo que sua estrutura não designa
uma religião no sentido comum da palavra,
pois não havia nenhuma reivindicação de escrituras que fossem inspirados por
algum ser divino. A mitologia foi transmitida oralmente principalmente durante
a Era Viking, e o atual conhecimento sobre ela é
baseado especialmente nosEddas1 2 e outros textos medievais
escritos pouco depois da cristianização.
No folclore escandinavo estas crenças
permaneceram por mais tempo, e em áreas rurais algumas tradições são mantidas
até hoje, recentemente revividas ou reinventadas e conhecidas como Ásatrú ou
Odinismo. A mitologia remanesce também como uma inspiração na literatura,
assim como noteatro, na música e no cinema.
A família é o centro da comunidade, podendo ser
estreitamente relacionada com a fertilidade-fecundidade quanto com a
agressividade de um povo hostil e habituado a guerras, em uma sociedade
totalmente rural que visa a prosperidade e a paz para si. Deste modo, a
religião é muito mais baseada no culto do que no dogmatismo ou na metafísica,
uma religiosidade baseada em atos, gestos e ritos significativos, muitas vezes
girando em torno de festividades a certos deuses, como Odin e Tîwaz (identificado
por alguns estudiosos como predecessor de Odin).
Pode-se dizer que a religião viking não existia sem
um ritual e abordava exclusivamente o culto aos ancestrais; era uma religião
que ignorava o suicídio, o desespero, a revolta e mais do que tudo, a dúvida e
o absurdo. Segundo alguns autores, era "uma religião da vida".3
A maior parte desta mitologia foi passada adiante oralmente,
sendo que grande parte dela foi perdida. Há também o Gesta Danorum,
desenvolvido pelo dinamarquês Saxo
Grammaticus onde, entretanto, os deuses nórdicos estão descaracterizados
fortemente.
A Prose of Younger Edda (mais conhecida
como Edda em Prosa)1 foi escrita no início do Século XIII. À primeira vista, ele parece um
manual para aspirantes a poetas, que lista e
descreve os contos tradicionais que deram forma à base de expressões poéticas
padronizadas, tais como os kennings. O autor da Prose of
Younger Edda é reconhecido como sendo Snorri Sturluson, o renomado chefe, poeta e
diplomata da Islândia.
O Elder Edda (também conhecido como
Edda poética ou Edda em verso)2 4 foi escrito aproximadamente 50
anos mais tarde. Contém 29 poemas longos, sendo que 11 tratam sobre as
divindades germânicas e o resto se referem aos heróis legendários como Sigurd, da Saga de Volsunga (o Siegfried da versão alemã do poema Nibelungenlied). Embora os estudiosos acreditem
que esta coleção de poemas tenha sido desenvolvida mais tarde do que o Younger
Edda, é creditado o nome de Elder Edda para esta obra por
causa da antiguidade atribuída aos textos.
Além destas fontes, há diversas lendas que
sobrevivem no folclore escandinavo, e há centenas de nomes de lugares na Escandinávia cuja origem se encontra nos
deuses da mitologia nórdica. Algumas inscrições rúnicas, tais como Rök
Runestone e o amuleto de Kvinneby, fazem referências a
mitologia. Há também diversas imagens entalhadas na pedra que descrevem cenas
da mitologia nórdica, tais como a viagem de pesca de Thor,
cenas da saga de Völsunga, Odin e Sleipnir, Odin sendo
devorado por Fenrir, e Hyrrokkin viajando ao funeral de Balder. Há também imagens menores, tais como os figuras que
descrevem os deuses Odin (com só um
olho), Thor (com seu martelo) e Freyr.
O universo segundo a mitologia
nórdica
Na mitologia nórdica (ou mitologia anglo-saxônica),
se acreditava que a terra era formada por um enorme disco liso. Asgard, onde os deuses viviam, se situava no centro do
disco e poderia ser alcançado somente atravessando um enorme arco-íris (a ponte
de Bifrost). Os gigantes viviam em um domicílio
equivalente chamado Jotunheim (Casa dos
Gigantes). Uma enorme ábade no subsolo escuro e frio formava o Niflheim, que era governada pela deusa Hel.
Este era a moradia eventual da maioria dos mortos. Situado em algum lugar no
sul ficava o reino impetuoso deMusphelhein, repouso dos gigantes do fogo.
Outros reinos adicionais da mitologia nórdica incluem o Alfheim, repouso dos elfos luminosos
(Ljósálfar), Svartalfheim, repouso dos elfos escuros,
e Nidavellir, as minas dos anões. Entre Asgard e Niflheim estava Midgard, o mundo dos homens (veja também
a Terra Média).
Não há uma clara definição sobre quais seriam os
mundos da mitologia nórdica, pois muitos se sobrepõem e vários nomes são
utilizados, designando, normalmente, o mesmo lugar. Diferentemente de outras
culturas mitológicas, na nórdica não há uma clara
definição sobre os lugares que, às vezes, são separados por mares ou oceanos,
não constituindo mundos separados na acepção da palavra. Deste
modo, podemos verificar a existência de nove mundos5 , conhecidos como os Nove
Mundos da Mitologia Nórdica, que podem ser considerados os principais:
Asgard (Ásgarðr)
Midgard (Miðgarðr)
Jotunheim (Jötunheimr)
Vanaheim (Vanaheimr)
Alfheim (Álflheimr)
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Temas da mitologia nórdica
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Arvak y Alsvid, Auðumbla, Bloðughofi,Eikþyrnir, Fenrisulfr, Garm, Geri
e Freki,Grani, Gullinbursti, Gullinkambi, Gulltopp,Hati, Heiðrun, Hildisvíni, Hofvarpnir, Homem lobo, Hræsvelgr, Hrímfaxi, Hugin y Munin,Jörmundgander, Lindorm, Mánagarmr,Níðhöggr, Ratatosk, Skinfaxi, Skoll, Sleipnir,Svadilfari, Sæhrímnir, Tanngrisnir y Tanngnjóstr, Veðrfölnir
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Lugares
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Alfheim, Asgard, Bifröst, Bilskirnir,Breidablik, Élivágar, Eliudnir, Fensalir,Fólkvangr, Gimlé, Ginnungagap, Gjallar Bridge, Gladsheim, Glitnir, Gnipahellir,Himinbjörg, Hindarfjall, Hörgr, Körmt y Örmt,Idavoll, Jötunheimr, Ironwood, Hlidskialf,Midgard, Muspelheim, Mirkwood, Náströnd,Niflheim, Noatun, Sessrúmnir, Slidr River,Thrymheim, Utgard, Valhalla, Vanaheim,Hvergelmir, Vigrid, Vimur, Vingólf, Ýdalir,Yggdrasil
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Artefactos
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Há três "clãs" de divindades: os Æsir,
os Vanir e os Iotnar (referenciados como os gigantes neste artigo).
A distinção entre o Æsir e o Vanir é relativa, pois na mitologia os dois
finalmente fizeram a paz após uma guerra prolongada, ganha pelos Æsir. Entre os
embates houve diversas trocas de reféns, casamentos entre os clãs e períodos
onde os dois clãs reinavam conjuntamente. Alguns deuses pertencem à ambos os
clãs. Alguns estudiosos especulam que esta divisão simboliza a maneira como os
deuses das tribos invasoras indo-européias suplantaram as divindades naturais
antigas dos povos aborígenes, embora seja importante notar que esta afirmação é
apenas uma conjectura. Outras autoridades (compare Mircea Eliade e J.P.
Mallory) consideram a divisão entre Æsir/Vanir simplesmente a expressão dos
nórdicos acerca da divisão comum Indo-Européia acerca das divindades, paralela
aos deuses Olímpicos e
os Titãs da
mitologia grega, e algumas partes do Mahabharata.
O Æsir e o Vanir são geralmente inimigos dos Iotnar
(Iotunn ou Jotuns no singular; Eotenas ou Entas,
em inglês arcaico). São comparáveis aoTitãs e
aos Gigantes da mitologia grega e traduzidos geralmente como
"gigantes", embora trolls e demônios sejam
sugeridos como alternativas apropriadas. Entretanto, os Æsir são descendentes
dos Iotnar e tanto os Æsir como os Vanir realizaram diversos casamentos entre
eles. Alguns dos gigantes são mencionados pelo nome no Eddas, e parecem ser
representações de forças naturais. Há dois tipos gerais de gigante: gigantes da
neve e gigantes do fogo. Havia também elfos e anões e, apesar de seu papel na
mitologia ser bastante obscuro, normalmente são apresentados tomando o partido
dos deuses.
Além destes, há muitos outros seres
supernaturais: Fenris (ou Fenrir) o lobo gigantesco,
e Jormungard, a serpente do mar que circula o mundo
inteiro. Estes dois monstros são descritos como primogênitos de Loki,
o deus da mentira, e de um gigante. Hugin e Munin(pensamento
e memória), são criaturas mais benevolentes, representadas por dois corvos que
mantêm Odin, o deus principal6 , informado do que está
acontecendo na terra; Ratatosk, o esquilo que
atua como mensageiro entre os deuses e Yggdrasil, a árvore da vida, figura central na
concepção deste mundo.
Assim como muitas outras religiões politeístas,
esta mitologia não apresenta o característico dualismo entre o bem e o mal da
tradição do oriente médio. Assim, Loki não
é primeiramente um adversário dos deuses, embora se comporte frequentemente nas
histórias como o adversário primoroso contra o protagonista Thor,
e os gigantes não são fundamentalmente malignos, apesar de normalmente rudes e
incivilizados. O dualismo que existe não é o mal contra o bem, mas a ordem
contra o caos. Os deuses representam a ordem e a estrutura visto que os
gigantes e os monstros representam o caos e a desordem.
A origem e o final eventual do mundo são descritas
em Völuspá7 ("A profecia dos Völva"
ou "A profecia de Sybil"), um dos poemas
mais impressionantes no Edda poético. Estes versos assombrados
contêm uma das mais vívidas criações em toda a história religiosa e representa
a destruição do mundo, cuja originalidade está na sua atenção aos detalhes.
No Völuspá, Odin,
deus principal do panteão dos nórdicos, conjura do espírito de um Völva morto
(Shaman ou Sybil)
e requer que este espírito revele o passado e o futuro. O espírito se mostra
relutante: "O que você pede de mim? Porque você me tenta?"; mas como
ela se encontra morta, não mostra nenhum medo de Odin, e continuamente o
pergunta, de forma grosseira: "Bem, você quer saber mais?" Mas Odin
insiste: se deve cumprir sua função como o rei dos deuses, deve possuir todo o
conhecimento. Uma vez que o sybil revela os segredos de
passado e de futuro, cai para trás em forma de limbo: "Eu dissiparei
agora".
No início havia somente o mundo das névoas, Niflheim e o mundo de fogo, Musphelhein, e entre eles havia o Ginungagap, "um grande vazio" no
qual nada vivia. Em Ginungagap, o fogo e a
névoa se encontraram formando um enorme bloco de gelo. Como o fogo de Musphelhein era muito forte e eterno, o
gelo foi derretendo até surgir a forma de um gigante primordial, Ymir,
que dormiu durante muitas eras. O seu suor deu origem aos primeiros gigantes. E
do gelo também surgiu uma vaca gigante, Audumbla, cujo leite jorrava de suas tetas
primordiais em forma de 4 grandes rios que alimentavam Ymir.
A vaca lambeu o gelo e libertou o primeiro deus, Buro,
que foi pai de Borr, que por sua vez foi pai do
primeiro Æsir, Odin,
e seus irmãos, Vili e Ve.
Então, os filhos de Borr, Odin, Vili e Ve,
destroçaram o corpo de Ymir e, a partir deste, criaram o mundo. De seus ossos e
dentes surgiram as rochas e as montanhas e de seu cérebro surgiram as nuvens.
Os deuses regularam a passagem dos dias e noites,
assim como das estações. Os primeiros seres humanos eram Ask (carvalho) e Embla (olmo),
que foram esculpidos em madeira e trazidos à vida pelos deuses Odin, Honir/Vili
e Lodur/Ve. Sol era a deusa do sol, filha de Mundilfarie esposa de Glen.
Todo dia, ela montava através do céu em sua carruagem puxada por dois cavalos
nomeados Alsvid e Arvak.
Esta passagem é conhecida como Alfrodul, que significa "glória dos
elfos", que se tornou um kenning comum para o sol. Sol era
perseguida durante o dia por Skoll, um lobo que
queria devorá-la. Os eclipses solares significavam que Skoll quase a capturava.
Na mitologia, era fato que Skoll eventualmente conseguia capturar Sol e
a devorava; entretanto, a mesma era substituída por sua filha. O irmão de Sol,
a lua, Mani, era perseguido por Hati,
um outro lobo. Na mitologia nórdica, a terra era protegida do calor do sol
por Svalin, que permanecia entre a terra e a
estrela. Nas crenças nórdicas, o sol não fornecia luz, que emanava da juba deAlsvid e Arvak.
A Sybil descreve a enorme
árvore que sustenta os nove mundos, Yggdrasil e as três Nornas (símbolos femininos da fé inexorável,
conhecidas como Urðr (Urdar), Verðandi (Verdante) e Skuld,
que indicam o passado, a atualidade e futuro), as quais tecem as linhas do
destino. Descreve também a guerra inicial entre o Æsir e o Vanir e o
assassinato de Balder. Então, o espírito gira sua atenção ao
futuro.
A visão antiga dos nórdicos sobre o futuro é
notavelmente sombria e pálida. No final, as forças do caos serão superiores em
número e força aos guardiões divinos e humanos da ordem. Loki e
suas crianças monstruosas explodirão suas uniões; os mortos deixarão Niflheim para atacar a vida. Heimdall, guardião das divindades, convocará
os deuses com o soar de sua trombeta de chifre. Se seguirá uma batalha final
entre ordem e caos (Ragnarök), que os deuses
perderão, como é seu destino. Os deuses, cientes de sua sina, recolherão os
guerreiros mais finos, oEinherjar, para lutar em seu lado quando este
dia vier. No entanto, no final, seus poderes serão pequenos para impedir que o
mundo caia no caos onde ele se emergiu, e os deuses e seu mundo serão
destruídos. Odin será engolido por Fenrir, o lobo. Mesmo assim, ainda haverá alguns
sobreviventes, humanos e divinos, que povoarão um mundo novo, para começar um
novo ciclo. Ou assim Sybil nos diz; os
estudiosos ainda se dividem na interpretação das últimas estrofes e deixam em
dúvida se esta não foi uma adição atrasada ao mito por causa da
influência cristã. Se a
referência for anterior a cristianização, o mito do final dos tempos do Völuspá pode refletir uma tradição
indo-europeia que se deriva dos mitos do zoroastrismo persa.
A mitologia nórdica não trata somente dos deuses e
das criaturas supernaturais, mas também sobre heróis e reis. Muitos deles,
provavelmente, existiram realmente e as gerações de estudiosos escandinavos tentam extrair a história do
mito a partir das sagas. Às vezes, o mesmo herói ressurge em diversas formas
dependendo de que parte do mundo germânico os épicos sobreviveram. Como
exemplos temos o Völund/Weyland e Siegfried/Sigurd, e provavelmente em Beowulf/Bödvar
Bjarki. Outros heróis notáveis são Hagbard,Starkad, Ragnar Lodbrok, Heron
T.K.S., O Anel de Sigurd, Ivar
Vidfamne e Harald Hildetand. Notáveis também são as shieldmaidens,
que eram as mulheres "comuns" que tinham escolhido o caminho do
guerreiro.
As tribos germânicas raramente ou quase nunca
tiveram templos em um sentido moderno. O Blót, a forma de adoração praticada pelos
germânicos antigos e os povos escandinavos se assemelham aos dos celtas e
dos bálticos, ocorrendo normalmente em bosques
considerados sagrados. Poderiam também ocorrer em casas e/ou em altares simples
de pedras empilhadas conhecidas como horgr.
Entretanto, parece ter havido alguns centros mais importantes, tais como Skiringsal, Lejree Uppsala. Adan de Bremen reivindica que houve um
templo em Uppsala com três estátuas de madeira de Thor,
de Odin e deFreyr.
Apesar de parecer que um certo tipo do sacerdócio
possa ter existido, nunca houve um caráter profissional e semi-hereditário como
o arquétipo do druida céltico.
Isto ocorre porque a tradição xamanista foi mantida pelas mulheres,
as Völvas.
É geralmente aceito que os reinados germânicos evoluíram a partir dos
escritórios dos sacerdotes. O papel de
sacerdócio do rei condizia com o papel comum do godi,
que figurava como o chefe de um grupo de famílias e que administrava os
sacrifícios.
O único testemunho ocular do sacrifício humano
germânico sobreviveu no conto de Ibn Fadlan sobre um enterro do navio de
Rus, onde uma escrava menina se ofereceu para acompanhar seu senhor ao mundo
seguinte. Testemunhos mais indiretos são dados por Tacitus, Saxo Grammaticus e Adan de Bremen. O Heimskringla descreve
que o rei sueco Aun sacrificou
nove de seus filhos em um esforço para prolongar sua vida até que seu trabalho
o impediram de matar seu último filho, Egil.
De acordo com Adan de Bremen,
os reis suecos sacrificavam escravos do sexo masculino a cada nono ano durante
os sacrifícios de Yule no Templo em Upsalla. Os suecos tinham o direito de eleger e depôr
os próprios reis, e tanto o rei Domalde e
o rei Olof
Trätälja são conhecidos por terem sido sacrificados após anos
de inanição. Odin foi associado com a morte por
enforcamento, e uma prática possível do sacrifício de Odin por
estrangulamento tem alguma sustentação arqueológica na existência de corpos
preservados perfeitamente pelo ácido das turfas em Jutland. Um exemplo é Homem de Tollund. Entretanto, não há nenhum
testemunho escrito que interprete explicitamente a causa destes
estrangulamentos, que poderiam, obviamente, ter outras explicações.
Desenho de 1830 de Ansgar, um missionário cristão convidado à Suécia por
seu rei, Björn at Hauge em 829.
Um problema complexo ao interpretar esta mitologia
é que, frequentemente, os testemunhos mais próximos que existem das épocas mais
remotas foram escritos por cristãos. Como um exemplo de caso, o Younger
Edda e o Heimskringla foram escritos por Snorri
Sturluson noSéculo XIII, após
quase duas centenas de anos depois que a Islândia se tornou cristã, em torno do
ano 1000, em um momento histórico sob um intenso
clima político antipagão na Escandinávia.
Virtualmente, toda a literatura sobre as
sagas vikings se originou na Islândia, uma ilha
relativamente pequena e remota. Mesmo contando com o clima de tolerância
religiosa que permanecia naquela época nesta região, Sturluson foi guiado por
um ponto de vista essencialmente cristão. OHeimskringla, cujas cópias
são tão difundidas na Noruega atual quanto
a Bíblia, fornece algumas introspecções
interessantes nesta direção. Snorri Sturluson introduz Odin como
um lorde guerreiro mortal da Ásia que adquire poderes mágicos, se
estabelece na Suécia, e se torna um
semi-deus após sua morte. Ao remover a divindade de Odin, Sturluson fornece
então a história de um pacto do rei sueco Aun com
o Odin para prolongar sua vida, sacrificando seus filhos. Mais tarde, no Heimskringla,
Sturluson apresenta em detalhes como o Santo Olaf Haroldssonconverteu
brutalmente os escandinavos ao cristianismo.
Durante a cristianização da Noruega, o rei Olaf
Trygvasson mantinha as völvas (mulheres xamãs) amarradas em
pequenas rochas à mercê da maré. Uma terrível e longa espera pela morte.
Na Islândia, tentando evitar a guerra civil, o
parlamento votou a favor da cristianização, mas tolerou a prática de cultos
pagãos na privacidade dos lares. A atmosfera mais tolerante permitiu o
desenvolvimento da literatura acerca das sagas, que foi uma janela vital para
auxiliar a compreender a era pagã.
Por outro lado, a Suécia teve uma série de guerras civis
durante o século XI, que
terminou com a queima do templo em Uppsala.
A conversão não aconteceu rapidamente, independente
se a nova fé fosse mais ou menos imposta pela força. O clérigo trabalhou
fortemente no sentindo de ensinar à população que os deuses nórdicos eram
apenas demônios, mas seu sucesso era limitado e os deuses nunca se tornaram
realmente malignos na mente popular. Dois achados arqueológicos extremamente
isolados podem ilustrar quanto tempo a cristianização levou para atingir toda a
região. Os estudos arqueológicos das sepulturas na ilha sueca de Lovön mostraram
que a cristianização levou entre 150 a 200 anos.
Do mesmo modo, na cidade comercial de Bergen, duas inscrições rúnicas do século XIII foram encontradas, onde a
primeira diz pode Thor o receber, pode Odin possui-lo. A segunda
inscrição é um galdra que
diz eu entalhei runas de cura, eu entalhei runas de salvação, uma vez
contra os elfos, duas vezes contra os trolls, três vezes contra os thurs. A
segunda menciona também a perigosa valquiria Skögul.
Apesar de haver poucos testemunhos do século XIV até o século XVIII, o clérigo, tal como Olaus Magnus (1555)
escreveu sobre as dificuldades de extinguir a opinião antiga sobre os deuses
antigos. o Þrymskviða parece
ter sido uma das raras canções que resistiram ao tempo, como a romântica Hagbard
e o Signy. As versões conhecidas de ambas foram registradas nos
séculosXVII e XIX. No século XIX e no início do século XX, os folcloristas suecos documentaram
o que o povo comum acreditava, e o que eles deduziram era que muitas tradições
dos deuses da mitologia nórdica haviam sobrevivido. Entretanto, as tradições
estavam muito longe do sistema coeso desenvolvido por Snorri. A maioria dos
deuses tinham sido esquecidos e somente o caçador Odin e
a figura de matador de gigantes de Thor aparecia
em numerosas lendas. Freya era mencionado
algumas vezes e Balder sobrevivia
somente nas lendas sobre nomes de lugares.
Outros elementos da mitologia nórdica sobreviveram
sem ser percebido como tal, em especial a respeito dos seres sobrenaturais no
folclore escandinavo. Além disso, a opinião dos nórdicos sobre o destino foi
muito firme até épocas modernas. Desde que o inferno cristão se assemelhou ao domicílio
dos mortos na mitológia nórdica, um dos nomes foi aproveitado da fé antiga,Helvite,
isto é, punição de Hel. Alguns elementos das tradições de Yule foram
preservados, como a tradição sueca de matar um porco durante o Natal,
que era originalmente parte do sacrifício aFrey.
Os deuses germânicos deixaram traços no vocabulário
moderno. Um exemplo desta influência é alguns dos nomes dos dias da semana. A
influência se deu após os nomes dos dias da semana serem desenvolvidos e
espalhados pela língua dominante antiga, o latim,
que definia os dias como Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno.
Os nomes de terça-feira a sexta-feira foram substituídos completamente pelos
equivalentes germânicos dos deuses romanos. Em inglês, Saturno não foi
substituído, enquanto sábado foi renomeado após a definição dosabbath em
alemão, e é chamado "dia da lavagem" na Escandinávia.
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Dia
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Alemão
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Inglês
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Origem
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Montag
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Monday
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dia da Lua
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Dienstag
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Tuesday
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dia de Tyr
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Mittwoch
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Wednesday
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Donnerstag
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Thursday
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Freitag
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Friday
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dia de Freyja
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Samstag
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Saturday
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Sonntag
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Sunday
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dia do Sol
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Mais recentemente, surgiram tentativas na Europa e nos Estados Unidos de reviver a velha religião pagã sob o nome de Ásatrú ou o Heathenry. Na Islândia, o Ásatrú foi reconhecida pelo estado como uma religião oficial em 1973, que legalizou suas cerimônias da união, nomenclatura dada às crianças e outros tipos de cerimoniais. É também reconhecida com uma religião oficial e legal na Dinamarca e na Noruega, apesar de recente.
Richard Wagner também foi influenciado
pela mitologia nórdica nos seus temas literários, compondo as quatro óperas que
compreendem Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo).
Na música, o metal pesado apresenta um subgênero
especialmente criado com base no panteão nórdico: o Viking Metal, com um vasto grupo de fãs fiéis
por todo o mundo. Se caracteriza principalmente pelo vocal gutural, pelas
rápidas guitarras distorcidas e bateria de peso, pelo uso de instrumentos pouco
convencionais, que remetem aos utilizados primitivamente na facção de música
nórdica (violinos rústicos, alaúdes, violões folk, etc), e, em especial, pelas
letras, sempre com esse padrão de temática, abordando as batalhas e a vida de
deuses e seres míticos. Destaque para as bandas Manowar, Bathory, Ensiferum, Thyrfing, Enslaved e Amon Amarth.
A banda norte-americana Manowar tem como tema central das suas
letras e estilo musical as guerras e heróis mitológicos. Em 2007 lançam
um álbum intitulado "Gods of War", no qual é feita uma
homenagem a deuses e animais da mitologia nórdica. Em 2009 gravam em quinze
línguas diferentes a canção "Pai", baseada na história de Thor,
que viu o pai ser assassinado.8
Em 2001, a banda de metal sinfônico Therion lançou o álbum Secret of the runes,
o qual remonta às origens e lugares da mitologia nórdica.
No anime japonês: Saint Seiya (Os Cavaleiros do
Zodíaco em Portugal), a mitologia nórdica também é
utilizada, fazendo uma conexão com a mitologia grega. O OVA: A
Grande Batalha dos Deuses que é um curta de cinqüenta minutos, foi a
primeira produção de Saint Seiya incluindo esses personagens e as lutas eram
travadas em Asgard, é apresentado alguns nomes como Odin, Loki, Frey e Midgard.
Pouco tempo depois é lançada a Saga de Asgard, diferente do OVA, sendo
uma série de televisão, não havendo qualquer conexão com a história do OVA,
onde Odin era o deus de um pais nórdico (Asgard) e tem como sudita: Hilda de Polaris que é amaldiçoada pelo
Anel de Nibelungo cedido pelo deus dos mares Poseidon -- essa é a conexão com amitologia grega. Nessa série, nomes como Thor,
Siegfried e Fenrir são citados.
No Universo Marvel, o panteão nórdico e os elementos
relacionados a este formam uma parte proeminente das histórias. Thor,
em especial, foi um dos super-heróis mais longévelos das companhia. Os heróis
do panteão nórdico também são apresentados como os personsagens do anime japonês Matantei Loki Ragnarok.
Odin, Thor, Loki e
diversos outros seres e lugares da mitologia nórdica têm papéis recorrentes nas
histórias em quadrinho de Sandman de Neil Gaiman, mais notavelmente nas históriasEstações
das Névoas e Os Mais Amáveis.
A série de jogos da Tri-Ace "Valkyrie Profile" se
inspira na mitologia nórdica e coloca como protagonista a valquíria
"Lenneth" em sua missão de recrutar os Einherjar para lutarem ao lado
dos Aesir durante o Ragnarok. O jogo foi lançado para o console Playstation,
alguns anos depois devido ao grande sucesso, foi relançado para o PSP (Playstation Portable)
e uma sequência foi lançada para o Playstation 2 com o subtítulo
"Lenneth" para o Remake do PSP e "Silmeria" para a versão
do Playstaton 2, que foca a história centenas de anos antes dos ocorridos no
jogo do Playstation.
A série de jogos do computador Creatures também
utiliza diversos nomes da mitologia nórdica. O mais proeminente são os três
tipos de criaturas com as quais você pode lutar, Nornas,Grendels e Ettins.
E muitos nomes estão presentes também nos jogos da série Final Fantasy dentre eles Odin (um
ser que é invocado), a lança Gungnir, uma espada chamada Ragnarok e o martelo de Thor.
Outro jogo de grande sucesso, é o MMORPG Ragnarök Online, criado pela empresa
sul-coreana Gravity Corp. O
game que está presente em diversos países, com servidores locais, nos idiomas
dos respectivos países, se passa em Midgard e está repleto de citações sobre
a mitologia nórdica, como lugares (Rune-Midgard, Árvore de Yggdrasil, Niflheim), monstros (Hati,Jormungand, etc), personagens (Fenrir, Freya, Valquírias, etc), além de servidores com nomes
de personagens Odin, Thor,
etc).
Também existe o jogo em terceira pessoa Rune,
lançado em 2000 pela Human
Head Studios, onde o jogador controlava um viking chamado Ragnar e era totalmente baseado na mitologia nórdica.
Outro jogo que faz referência a Mitologia Nórdica,é
Odin Sphere do Playstation 2,você começa controlando uma valkyria que está em
um missão de acabar com os causadores da guerra,e vários outros guerreiros,em
um história paralela,cada personagem faz sua história entrando em vários mundos
e enfrentando vários deuses,como Odin,Hel,Thor.Ao final de cada
história,dependendo do personagem que você estava jogando,você irá para o
Ragnarok,no qual enfrentará uma serpente gigante (provavelmente Jormungand ou
Niddhogg) que está acabando com o mundo.
Os contos de grandes guerreiros e de magos mortais
formaram a base para a ascensão do gênero fantasia no século XX.
Robert E. Howard utilizou extensivamente
a mitologia nórdica em seus muitos trabalhos, sendo que sua criação mais
conhecida é Conan, o bárbaro, um mercenário fictício e
herói de diversas histórias curtas em banda desenhada (quadrinhos) e de um romance.
Outros autores seguiram a mesma linha, sendo que o mais conhecido é J. R. R. Tolkien, que iniciou seus trabalhos
baseados na saga de Beowulf criando O Hobbit e posteriormente construindo uma
nova mitologia baseada no panteão nórdico nos seus livros O Senhor dos Anéis e
o Silmarillion. Após os trabalhos de Howard e
Tolkien terem sido publicados, diversos outros autores foram encorajados a
seguir a mesma trilha. Entre os mais famosos, se encontram Robert
Jordan, Terry
Brooks,Raymond
Feist, David
Eddings, Terry Pratchett e Tad Williams.






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